Por Hugo Galvão de França Filho, diretor da Enjoy Pets
O mercado pet brasileiro entrou de vez na era da sofisticação. O que antes era concentrado em ração seca e compras presenciais migrou rapidamente para o ambiente digital e, junto com essa transformação, surgiram novas exigências logísticas que estão redefinindo o setor.
Os números confirmam essa mudança. Dados da Neotrust apontam que o e-commerce pet faturou R$ 1,3 bilhão apenas no primeiro trimestre de 2024. Mais do que o volume financeiro, chama atenção a composição desse faturamento: 45,7% correspondem a alimentos frescos para cães e gatos. Esse dado revela uma mudança clara no comportamento dos tutores, que passaram a investir mais em alimentação natural, produtos premium e soluções alinhadas à saúde e longevidade dos seus animais.
Essa evolução no consumo foi o ponto de partida para um novo desafio: como garantir que produtos perecíveis cheguem à casa do cliente com a mesma qualidade com que saíram do centro de distribuição?
É nesse contexto que a cadeia de frio – ou cold chain – se torna estratégica. Diferentemente da logística tradicional, o transporte de alimentos frescos exige controle rigoroso de temperatura em todas as etapas: armazenagem, separação, expedição, transporte e entrega final. Qualquer ruptura nesse processo pode comprometer a integridade do produto, afetar sua palatabilidade e gerar perdas operacionais.
O crescimento dessa demanda não acontece isoladamente. Relatórios da IMARC indicam que o mercado brasileiro de logística de cadeia fria deve atingir US$ 5,4 bilhões em 2025, com projeção de alcançar US$ 11,5 bilhões até 2034. O setor acompanha a expansão de segmentos que dependem de controle térmico, como alimentos e medicamentos, e o e-commerce pet passa a ocupar um espaço relevante nesse cenário.
No entanto, a estrutura necessária para sustentar essa operação tem custo elevado. Armazéns climatizados, caminhões e contêineres refrigerados (reefer), além de sistemas de monitoramento contínuo, tornam o frete significativamente mais caro do que o transporte convencional. O que antes era tratado apenas como despesa operacional agora precisa ser encarado como investimento estratégico.
Dentro dessa jornada logística, o momento mais sensível é o chamado “último trecho”, ou seja, o percurso entre o centro de distribuição e a residência do cliente. É justamente nessa fase que pequenas oscilações de temperatura podem ocorrer, seja por trânsito, condições climáticas ou tempo de espera na entrega. E é também aí que a experiência do consumidor é definida.
No e-commerce pet, o frete refrigerado é uma garantia de qualidade. Afinal, o consumidor busca conveniência, mas também exige segurança e integridade do produto, e o desafio está em equilibrar eficiência logística com experiência do cliente. Uma entrega bem-sucedida não é apenas aquela que chega no prazo, mas aquela que preserva o padrão do alimento e reforça a confiança na marca.
Para enfrentar esse cenário, a tecnologia tornou-se aliada indispensável. Sensores conectados via IoT, plataformas de rastreamento com alertas automáticos e embalagens térmicas de alto desempenho permitem acompanhar, em tempo real, qualquer variação de temperatura. Agir rapidamente diante de uma oscilação evita prejuízos, reduz desperdícios e protege a relação com o cliente.
Ao longo dos últimos anos, vimos o frete deixar de ser apenas um centro de custo para integrar a própria proposta de valor das marcas digitais. No mercado pet, manter a temperatura correta pode ser o diferencial entre uma entrega comum e uma experiência capaz de gerar recompra e fidelização.
Fonte: Dampress Comunicação



