Atendimentos oncológicos em pets sobem 180%, aponta WeVets

Créditos: Divulgação

Crescimento médio mensal de 15% indica tendência consistente, refletindo o envelhecimento dos pets e a ampliação do cuidado veterinário no país

O câncer passou a integrar, de forma crescente, a rotina dos hospitais especializados no Brasil. Dados internos da WeVets, maior grupo de saúde veterinária do país, indicam um avanço significativo dos atendimentos oncológicos nos últimos anos, refletindo mudanças profundas na forma como os pets vivem, envelhecem e são cuidados. Em 2025, os atendimentos oncológicos na WeVets cresceram 180% em comparação com 2024.

Apenas nos últimos 12 meses, o avanço médio foi de 15% ao mês, indicando uma tendência consistente de alta. Desde a implementação do protocolo oncológico da rede, já foram realizados mais de 6 mil atendimentos relacionados ao câncer. Em um recorte específico de 14 meses, aproximadamente 400 pets receberam diagnóstico oncológico confirmado. No mesmo período, a rede realizou mais de 1.000 procedimentos oncológicos, entre quimioterapias e cirurgias, com uma média atual de cerca de 80 procedimentos por mês.

Segundo a WeVets, o aumento dos casos não indica, necessariamente, que os pets estejam adoecendo mais, mas que estão vivendo mais e sendo diagnosticados com maior precisão. “O câncer é uma doença mais frequente em pets idosos, e o avanço da medicina veterinária, com maior acesso a exames laboratoriais, exames de imagem e protocolos especializados, têm permitido identificar neoplasias de forma mais precoce”, comenta a médica-veterinária Bianca Montalto, head de Oncologia da WeVets.

Entre os tipos de câncer mais frequentemente atendidos nos hospitais da rede estão as neoplasias de pele, seguidas por tumores de mama e do sistema reprodutor. Os diagnósticos mais comuns incluem mastocitoma, adenocarcinoma mamário, tumor venéreo transmissível, hemangiossarcoma e osteossarcoma.

Há diferenças importantes entre as espécies. Em gatos, cerca de 90% dos tumores diagnosticados são malignos, enquanto, em cães, esse índice é de aproximadamente 70%, o que exige abordagens clínicas distintas. A análise dos atendimentos também aponta correlação entre idade, raça e incidência de determinados tipos de câncer. Pets idosos são mais acometidos, e raças como Boxer e Pastor Alemão apresentam maior predisposição a mastocitomas, conforme já descrito em estudos científicos.

“Outro fator de risco relevante é a exposição solar excessiva, especialmente em pets de pele clara. A falta de informação dos tutores sobre os efeitos da radiação solar contribui para o surgimento de neoplasias cutâneas, uma das mais frequentes na rotina hospitalar”, completa Bianca.

Para a WeVets, o diagnóstico precoce é um dos principais aliados no enfrentamento do câncer em pets. A rede recomenda check-up preventivo anual, com exames hematológicos e de imagem, capazes de identificar alterações ainda em estágios iniciais, muitas vezes antes do aparecimento de sintomas clínicos.

Tratamento

O tratamento oncológico na WeVets é conduzido por equipes multidisciplinares, que envolvem médicos veterinários clínicos, oncologistas, cirurgiões, fisioterapeutas, nutricionistas e especialistas em controle da dor e cuidados paliativos. “Os cuidados paliativos podem ser indicados desde o diagnóstico, não apenas em fases avançadas da doença, com foco na qualidade de vida, no alívio do sofrimento físico e no suporte contínuo ao pet e à sua família, inclusive durante o período de luto”, comenta a médica-veterinária.

A relação próxima com os tutores é considerada parte essencial do modelo assistencial. O acompanhamento frequente permite ajustes rápidos na conduta clínica e oferece suporte emocional durante todas as etapas do tratamento, especialmente em casos complexos ou avançados.

Fonte: Focal 3

Picture of Juliana Fumani

Juliana Fumani

Amor aos Animais

Redes Sociais

Posts Recentes